Obrigada, Seu Agosto, por ter sido tão gentil.
Diferente de tantos anos, esse você pegou leve, foi sucinto. Não teve tanta rigidez.
Foi impetuoso em seu clima, foi quase uma menina em TPM forte em relação às temperaturas, mas em compensação, em meu coração, foi brando, carinhoso...coisa não habitual.
Talvez tenha sido eu quem tenha mudado. Aliás, é o mais provável, porque seu trabalho sempre foi chegar por aqui e se deixar acontecer.
Mas dessa vez, em águas calmas, você levou pouco ou só empurrou pra margem, aquilo que estava prestes a sair. Para meu conforto, não chegou em grandes ondas espumantes, daquelas que quebram qualquer força oposta e arrasta para longe alguma zona de conforto.
Dessa vez, você desistiu de ser tsunami e me permitiu poucas perdas, e eu, já escaldada de outros tantos, aceitei-as com coração aberto.
Em compensação, e talvez por algum crédito que eu tenha anterior, me trouxe tanta beleza, tanta riqueza e tanto amor, que juro, Seu Agosto, estou pasma.
Me sinto lisonjeada pelos presentes que recebi. Pelos que ficaram, pelos que voltaram.
Cá entre nós, e com a vaidade bem exacerbada: eu mereço, né? Eu sei que sim. Fiz por merecer, nas suas chegadas e partidas anteriores, quais levaram pedaço de mim. Acredito que eu mereça essa sua tranquilidade de águas e esta água doce da qual você veio este ano conduzir.
Tenho sido respeitosa com suas intempéries e, depois de todas as suas partidas, eu me reergui, como eu acredito hoje, tenha sido a grande lição.
Obrigada pelas feridas: elas me trouxeram mais pessoas especiais.
Obrigada pelas mudanças: elas me fazem pessoa menos preconceituosa.
Obrigada pelas lembranças: pelas que voltaram e pelas que ficarão.
E depois de tanto agradecimento e encher tanto a sua bola, vou pedir um favor: Avise o Sr Setembro pra também vir tranquilo, por favor? Quando for passar o bastão do revesamento para ele, dê um toque de leve, lembre da pessoa que vos fala, e peça para ele também ser gentil. Estou precisando. Aliás... todo mundo está.
Grande abraço.
E até o ano que vem.
domingo, 31 de agosto de 2014
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Sob páginas amareladas
Deixe que ele cumpra sua sina: que leve algumas coisas, e traga outras novas.
Permita que esse vento mexa em seu livro e vire suas páginas desordenadamente.
Quem sabe, uma rajada de vento abra em página esquecida há muito e traga memórias obrigatoriamente apagadas, que hoje, podem ser doces e tenras.
Quem sabe ele abra em capítulo de uma grande paixão vivida. E hoje, você a leia sem dor (sejamos sinceros, toda paixão tem alguma dor), e contenha só a magia daquilo que te encantou.
Deixe o vento trazer de volta o brilho. Aquilo que ficou lá atrás. Aquela memória que dá uma vontade danada de sair correndo naquele tempo onde fosse possível resgatar o amor, pegar no colo e ninar para sempre. Voltar em tempo onde dias eram mágicos, cheios de borboletas, e onde ele próprio, o vento, reinava fazendo alvoroço em seu abdômen. Onde aconchego, cafuné e cheiro eram ninho suportável para qualquer loucura, qualquer viagem, qualquer desapego.
Quem sabe ele sopre em força suficiente para varrer de nossos corações alguma poeira, que esconde chave de nossos amores, daqueles guardados em segredo por não terem sido vividos por inteiro.
Deixe o vento trazer em seu sopro de sabedoria (e travessura) as lembranças de um amor. E que não venha em saudade doída, em vontade impraticável, em angústia insolúvel. Que venham com sabores, daqueles picantes, onde a curiosidade dá ainda mais lembrança, mais vontade e mais saudade.
Deixe que ele liberte das páginas amareladas, escritas em letras não tão maduras, todas as músicas, todas as letras e todos as poesias e sonetos que lá contém.
Deixe que ele aja como vento, com poder de virar as páginas da vida, e que ele liberte toda emoção que jazia sob pesadas folhas.
Permita que ele folheie seu livro, te despenteie, te desnorteie... afinal, nada (nem ninguém) precisa ser tão organizado, tão politicamente correto, tão careta assim.
Permita que ele folheie seu livro, te despenteie, te desnorteie... afinal, nada (nem ninguém) precisa ser tão organizado, tão politicamente correto, tão careta assim.
Por fim, se permita em tamanha ventania, que uma brisa leve sussurre em seu ouvido, com toda a sabedoria: “ainda há muita vida e em seu livro, muitas folhas…”
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
O peso da responsabilidade
Aí, de repente, você é adulto e dono do seu nariz.
A vida exige que você escolha, decida e defina.
Nada acontece em avalanche. Cada qual em seu tempo, mas em algum momento, você percebe que carrega muitas responsabilidades e não pode dividi-las com alguém.
Ser saudoso do momento no qual sua única preocupação seria ser aprovado na escola, traz nostalgias como se, naqueles momentos, a sua obrigação não tivesse o peso que teve.
Tudo depois que passa é bem leve, mas a verdade é que, em algum momento, ser dono do próprio nariz demanda compromissos com o mundo, e quando você se dá conta, pode ser que seja demais.
Ser responsável com sua vida é dedicar-se a ela integralmente, não permitindo que o confortável seja superior ao correto.
Algumas decisões são difíceis e o peso delas, exige mais de nós do que gostaríamos de doar.
Alguns "nãos" devem ser ditos, e aprender a dizer não é bem mais difícil do que aceitar a tudo.
Como repreender um filho, por exemplo, quando a correção requer medidas que doem mais nos pais do que nos filhos em si. Eles esquecerão a magoa, e serão educados. Os pais, ficam com o peso de pensar que devem ser aceitos em tempo integral: pelos filhos e pela sociedade (sempre tem alguém para dar pitaco no que acontece na casa do outro).
Ou quando se desfaz de um relacionamento por ser quem doa mais e recebe menos. É dizer não para quem se gosta, mas dizer 'sim' para o que se quer.
Ou, ao contrário, dizer não para quem gosta de você, porque você é incapaz de doar-se em igual valor.
Como cumprir as medidas exigidas na empresa que se trabalha, para que o ambiente continue seguro, com excelência no serviço que presta.
Como recusar um prato delicioso em prol de uma dieta saudável, pela saúde precisar de reparos.
Como declinar a convites onde exigiriam um dinheiro que não se tem, uma disponibilidade que não se tem ou qualquer momento que demande que você se desgaste apenas para agradar alguém.
A responsabilidade em dizer não, de forma coerente, medida, é forma mais concreta de auto conhecimento e segurança de seus deveres versus direitos.
Ser responsável em suas atitudes pode fazer de você 'persona non grata', quando o lado que é negado, tem algum melindre ou falta de informação.
Ser dono das suas verdades e usufrui-las com respeito a um todo, começando por você, pode até parecer pesado, mas algum momento futuro mostrará o quão certo você esteve quando em qualquer momento, respeitou as leis das quais fariam você pessoa melhor.
E estar bem consigo faz com que qualquer peso passe a ser 'carregável'. Nem que seja em muitas viagens.
Assinar:
Postagens (Atom)

