sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Na hora do meu filme


Eu tenho que admitir que sinto medo.
Sinto medo de morrer.
Mas não aquele medo da morte em si, do que acontecerá depois ou pra onde vou. Sinto medo do momento da morte...
Aquele momento que todos dizem que passará um filme na minha frente sobre a minha vida inteira. Dizem que isso acontece, em segundos você visualiza tudo que viveu.
É dessa hora que eu tenho medo.
Tenho medo de entender, neste momento, no suspiro final, que alguma coisa boa eu deixei de fazer.
Não me apavora a cobrança sobre os desenganos ou atos não tão bacanas... certeza que já fiz muita coisa da qual não me orgulho.
Mas me amedronta olhar para dentro de mim e perceber que eu deixei passar felicidade. Me assusta imaginar que algum dia eu possa enrijecer e deixar de viver coisas pelas quais meu coração bata mais forte, por trauma ou melindre.
Até agora, mesmo depois de tanta cacetada que a vida já me deu, ainda não enrijeci.
Confesso que alguns sapos ficaram entalados, mas ainda tenho coragem e vontade de viver tudo que posso.
Não gostaria de perceber que deixei passar, que deixei de sentir, amar, rir...
Tento, desesperadamente, aproveitar cada segundo, cada oportunidade que acontece. Ouvi em um filme* outro dia: "Você já reparou que a gente morre a cada segundo?"
E desde então, desde que ouvi esta frase, atentei mais ao fato desta verdade: a gente morre a cada segundo...
Se já estou morrendo, porque não viver tudo que posso?
Se o que tenho pela frente são minhas escolhas ou fruto delas, escolho viver intensamente.
Escolho sentir, respirar, amar.
Desejo que seja com pouco erro. Desejo que seja  acreditando nas pessoas certas. Desejo que seja com reciprocidade.
Desejo que seja com o melhor que eu tenha para receber, visto que sempre entrego o melhor que sou.
E ainda que, a cada dia, seja com mais certeza que não sentirei remorso no momento que o meu filme passar à minha frente. Ao contrário: desejo olhar para tudo e exclamar: Caramba! Como eu fui feliz!

*trecho do filme "As Melhores Coisas do Mundo"

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Nós também temos camarotes.

Li a reportagem sobre os Camarotes.
Depois de ver tanta gente espantada sobre o conteúdo da reportagem, me vi na obrigação de, ao menos, entender sobre o quê tantas pessoas estão indignadas.
Li, reli e não entendi.

Primeiro, me choquei por uma revista de tão grande circulação, fazer reportagem sobre assunto tão desinteressante, enquanto tantos assuntos importantes acontecem ao mesmo tempo. Assuntos sérios que mexem, aí sim... no meu, no seu, no nosso bolso... assuntos sobre o nosso futuro. Sobre a economia de um país moralmente doente.
Não entendi o porquê de tanto estardalhaço sobre tamanha banalidade.

Pode ser simplista esta minha visão, mas é muito básica: oferta e procura. É uma lei.
Se existe camarote a se vender por aquele preço, é porque tem gente com poder aquisitivo de compra, porque tem procura. Se tem quem o use (e o mais bonito, o assuma) para chamar atenção das mulheres, é porque tem mulheres para este público (e pelo jeito, tem de sobra).

Quisera eu ter dinheiro suficiente afim de gastar com quem bem entendesse, da forma que bem entendesse, onde e quando quisesse... Nesta parte, senti um pouco de angústia por ter que contar moedas todos os meses, fazer contas, revirar fontes, dizer 'nãos', gastar tão pouco ou quase nada em lazer. 
Não senti inveja. Pelo fato simples de saber que dinheiro também aprisiona, maltrata, enjaula.
Mas vontade de ter um pouco mais, senti sim. E mais uma vez, meu pensamento voltou para a economia desbalanceada, para a educação escancaradamente não investida, para a saúde pobre. 
Voltei meus pensamentos para a desigualdade em geral e para quanto o texto desta revista encobre todos esses assuntos de suma importância... e mais uma vez caímos como patinhos... é melhor ficarmos com raiva de um único sujeito, a lembrar que temos tantos outros, eleitos por nós mesmos, que estão descuidando do que é nosso por direito.

Fui até mais longe... pensei em quantos camarotes, nós reles mortais, também ostentamos... claro que, com maior simplicidade, mas também temos meios de chamar a atenção,  nos fazermos aparecer. 
Muitas vezes, em redes sociais, ostentamos a nossa felicidade, o lugar que visitamos, a família perfeita, nossa moral elevada.
Ou ainda, ao conhecermos nova pessoa, exaltamos nossos méritos: formação, trabalho, aquisições ao longo da vida.

Para mim, a grande verdade é que todos nós temos camarotes: cada um com seu valor agregado. Cada um com seu conhecimento ou acesso. 
E esses camarotes, são a forma que encontramos de nos fazermos interessantes.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

"Sabor colorido"*


"Mel...eu quero mel
Quero mel de toda flor...(...)*


Assim começa a música de Geraldo Azevedo.
Com as mesmas três letras que me inspiram há 8 anos.

Mel:
Eu quero Mel de todo sabor,
quero Mel e seus temperos, suas alegrias e intemperanças...
Quero Mel de qualquer flor sendo que seja Mel, sendo que seja meu.

Mel de alegrias e energia, brincadeiras e sorrisos...
de verdade nos olhos, 
de doce forte, 
tão forte quanto seu temperamento... tão real... tão cheio de amor.

Mel, minha surpresa,
que fez mudar toda minha vida,
mostrar que, nosso destino não está só na nossa vontade, 
tem um dedo de Deus, para nos presentear, em momento inesperado,
com todo doce e sabor que alguém pode vir recheado.

Seu nome não poderia ser diferente,
visto que sua doçura contagia,
em pote tão lindo quanto o próprio nome,
embalagem que teve capricho dos anjos,
doçura, ternura e acidez, em todas as doses certas,
em menina que é deliciosa de provar.

Quero beijo de Mel, abraço de Mel, carinho de Mel, 
todos inéditos, todos ilustres, todos puros...
puros como a própria Mel...

"antes que um passarinho aventureiro que beija um beijo, doce sabor"*

São oito anos de Pura Mel. São oito anos de Puro Amor. 

*Sabor Colorido : Geraldo Azevedo
http://www.youtube.com/watch?v=mNd6XqtD6mQ