domingo, 14 de dezembro de 2014

Os mais ricos



Ah, como seria bom se todos pudessem reconhecer o que é a riqueza, e o que se tem de mais rico no mundo.

A riqueza e a fortuna são condições que, infelizmente, não caminham juntas e muitas pessoas são incapazes de reconhecer.

As pessoas mais afortunadas que conheci, desconhecem o que é sentir amor, visto que não sabem administrar o que não é palpável.

Ainda, acreditam que a tristeza seja pertinente à sua condição de pessoa rica($), já que todos os outros ricos($) que conhecem, abriram mão da felicidade para administrar suas fortunas. Pior ainda, todos os ricos($) que conheci, acreditam (mesmo não tendo consciência disso) que presentes e dinheiro podem compensar sua ausência.

Perdoem-me os que se pensam ricos($)… vocês não conhecem a riqueza.

Vocês não sabem o que é ter um amigo porque sim, porque ele é seu parceiro, porque te quer bem, porque gosta da sua companhia, porque tem afinidades com você.

Vocês não sabem o que é contar moedinha, fazer uma vaquinha, ou não ter grana, e não poder fazer nada e mesmo assim poder suspirar profundamente, com a alma cheia de querer bem, deitado no colo de alguém especial.

Vocês não sabem o que é só estar junto e não precisar de teste, comprovação, garantia de que aquilo que se sente pelo outro é verdadeiro.

Vocês não sabem estar a pé, e caminhar feliz ao lado de alguém.

Vocês não sabem o que é receber carinho, atenção e dedicação, tendo certeza que é sem interesse, seja por notas ou cifras, ou acesso.

Aliás, vocês não sabem que a riqueza não tem papel, não tem fórmula, não tem garantia, não se guarda em cofre, não precisa de blindagem, nem de segurança 24 horas.

O que existe de mais rico no mundo não se investe a longo prazo, não se preocupa com a alta ou baixa, não se protege com anti vírus, não se deposita em conta corrente, não se entrega à uma instituição, nem se faz nota promissória.

O que se tem de mais rico não se compra, nem se vende. Aliás, o que se tem de mais rico, se dá, da forma mais pura e mais simples possível.

O que faz o homem mais rico, se sente de olhos fechados, arde o meio do peito por alguns segundos, esquenta em calor fervoroso, esfria em arrepio refrescante, e borbulha o estômago com uma revoada louca de borboletas coloridas.

O que se tem de mais rico, não se compensa com outra forma a não ser um beijo quente, uma abraço apertado, um olhar carinhoso, um aconchego de proteção (e em último caso, uma memória latente).

Perdoem-se os ricos de dinheiro, vocês não conhecem o que é ser rico se vocês não sabem receber, entender, aceitar e reconhecer o amor.



segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A menina marcada em estrela

Desde pequena, enxerga por dentro dos outros.
Tem capacidade de scanear a alma daqueles que se relaciona.
Ela fecha os olhos e transcende para outros mundos.
De olhos abertos, vê os brilhos e luzes que são emanadas.
Ela sorri, e de sua expressão, não vem só a beleza de quem transmite alegria… mas vem uma brisa suave rara daqueles que suspiram longamente por gratidão.
Lá dentro dos seus olhos, vê-se um Universo inteiro de verdades e descobertas. Vê-se alma transparente e sagaz. Cheia de energia, fibra e dedicação.
Ouvidos atentos a qualquer pedido de socorro. Principalmente aos não ditos. Ainda assim, emana luz aos silenciosos que gritam em aflito.
Questiona a tudo, e por essa razão, ensina mais do que aprende.
Mantém-se alerta aos sons, aos recados e aos aprendizados. Não perde nada que acontece ao seu redor.
Estende a mão a quem passa, se compadece por quem precisa, constrói pontes para os desesperados.
Veio nessa vida para ajudar. Nasceu para crescer ainda mais a alma antiga, sábia e amorosa.
Recebeu em sonho, outro dia, a mensagem que explicava seu nascimento…


“Em fila de espera para entrada em outro universo, o anjo feminino recebeu uma ordem às pressas: um mestre chegou correndo e ditou as regras antes da sua partida dali: “ - Faça o bem. Veja o bem. Semeie somente o bem.”
E antes que o anjo descesse, o mestre a beijou na testa, e deixou ali uma estrela.”


Então, ela entendeu sua missão, e foi…

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Onde não couber palavras...


Tanto a dizer.
Mas palavras apenas tentam descrever sensações vividas. Palavras tentam descrever sentimentos.
Palavras são apenas palavras, são letras soltas para o vento, letras soltas no espaço… que tentam justificar aquilo tudo que preenche o espaço dentro de nós.
Qualquer que seja o texto a ser usado, ele não define o tempo que foi passado, o ardor ou calor.
Não existe forma ou cursiva. Não inventou-se maneira de deixar explodir o que se sente ou se sentiu… o que tem dentro da gente…
Tentamos, desesperadamente, utilizar as mais belas para honrar aos sentimentos mais nobres. 
Pode ser que seja em vão, porque as palavras não cabem neste vão infinito… fenda profunda de um coração que se faz abrigo de tanto amor.
Mas a necessidade de explicar o que se sente se faz implícita e infelizes nós, os que pensam designar em letras, a saudade, a vontade, o desejo, o carinho e a admiração.
Mas Alguém foi muito mais sublime, algum dia, inventou o amor colorido… 
Esse Alguém, semeou em nós o amor, e ao limpar as mãos, batendo-as uma na outra, fez com que o restante das sementes caísse em terra fértil e produziu aquilo que faria traduzir em beleza, a beleza do querer bem.
Esse Alguém nos ensina, que alguns momentos poderão ser silenciosos, mesmo com muito barulho interno.
E que para esses momentos, não caberão palavras.

Onde não couber palavras, caberão flores.