Quero tudo que um amor traz.
Quero sentir prazer ao vento rufar em meus cabelos.
Quero sorrisos soltos, sem motivos, como carimbos que autenticam felicidade.
Quero música que faz fechar os olhos. Música que transporta para outro lugar em um segundo.
Quero abraço apertado, que acolhe, protege, abraço que diz mais que muitas palavras. Abraço que enlaça, que reforça.
Quero mãos que acariciam, que afagam, que tateiam, que encontram... Mãos que apoiam e seguram.
Quero beijo quente, demorado, com afeto. Beijo sem segredo, com carinho, com muito desejo.
Quero olhar de leitura, que admira, que conversa e que descobre. Olhar que sorri.
Quero suspiros de uma alma completa.
Quero lágrima de felicidade.
Quero Sorrisos. Surpresas. Sabores.
Quero ouvidos e histórias.
Quero muitas viagens.
Quero muitas fotos.
E muita memória.
Quero tudo.
Quero tudo de bom.
Quero tudo que o amor pode me dar.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
O dia do perdão
Tenho consciência da minha humanidade também, mas ainda não aprendi a me perdoar por não conseguir ser evoluída em muitos quesitos.
E me cobro... me cobro muito para errar menos, porém alguns sentimentos fazem parte da minha humanidade e hoje, meu maior desafio é aprender a viver com eles sem tentar a minha santificação.
Sempre tive péssima memória. Por um lado é excelente porque posso rir da mesma piada mais que uma vez, assistir um filme com o mesmo interesse e perceber somente no meio dele que já o assisti. E ainda, esquecer quem algum dia já me fez mal.
Como qualquer outra pessoa, já fui enganada, já fui traída. Mas com esta péssima memória (e sempre achando que também tinha bom coração) perdoei, esqueci e tudo se resolveu.
Mas como nem tudo são flores em nosso caminho, havia uma pedrinha. Um rancor, que se estendeu nos últimos sete anos.
Tive uma funcionária, trabalhou conosco (eu ainda era casada) por cinco anos. Cuidou das minhas crianças.Cuidou dos meus bebês e nossa confiança nela sempre foi mais que 100%.
Se mostrava sempre muito gentil, querida, atenciosa.
Um dia, por diferenças religiosas, ela deixou de fazer parte de nossa casa. Nesse momento, uma mágoa se instalou em mim. Mal sabia eu, que depois de alguns dias, receberia uma convocação para audiência trabalhista, onde a tal funcionaria alegava fatores que não eram reais.
Tal processo não foi tão dolorido porque suas acusações eram infundadas e foi percebido que era apenas mais um caso de um advogado mal intencionado, com um acusador mal instruído. Porém, o fato desta pessoa nos acusar de tantas coisas ruins sendo que a verdade era que nós a ajudávamos no que podíamos (muito, muito além de nossas obrigações) foi o que mais me causou dor.
Na época, quem enfrentou tudo foi meu ex-marido porque eu não tinha condições sequer de olhá-la. E esse amargo se transformou em rancor. O único que me lembro pulsar em meu coração por tanto tempo.
Mas hoje, uma coisa incrível aconteceu.
Uma pendência de sete anos se desfez.
Recebo o telefonema desta mesma pessoa que só disse o seguinte: "Mariani, estou te ligando para pedir perdão."
Após minha mudez de alguns segundos, ela repete a frase. Minha cabeça fervilhou com tantos pensamentos, tantas respostas, tantas coisas que eu queria dizer para ela nestes anos todos.
Queria dizer a ela o quanto me magoou, o quanto me fez desacreditar em tantas outras pessoas, em quanto medo me pôs, nos remédios que tomei quando fiquei muito triste, em quantas respostas inventadas para meus filhos que sentiam saudade dela, em quanto me senti traída... foram tantas, tantas respostas que eu decidi respirar fundo, ouvir meu coração e respondi: "Está perdoada". Lembrei do meu ex-marido e falei por ele também porque sei que seria isso que ele faria.
Desligamos o telefone depois de uma conversa breve, mas nada superficial. Dentro de mim houve um implosão. Um sentimento escuro se esvaiu em pó, lavou minha alma e meu rosto em lágrimas.
Entendi mais uma vez que para tudo existe uma solução. E agradeci ao tempo por trazer acontecimentos incríveis em minha vida.
Esse tal Universo é mesmo incrível, o tempo é mesmo travesso, e eu sou mesmo muito grata por estas características.
Esse é mais uma desabafo, eu sei. Mas eu ainda acredito que boas coisas devam ser compartilhadas. Porque aprendo todos os dias que erro tanto e tantas vezes...e que, em todas elas, eu só gostaria de ser perdoada.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Desistir por amar demais ou desistir de amar demais?
"Fico cá com meus botões, traçando comparações entre experiências vividas e começo a perceber uma porção de novas possibilidades.
E entre estes devaneios inconclusivos, penso que posso ter, finalmente, alcançado uma conclusão:
De que nós só desistimos daquilo que realmente amamos.
Com um pouco de calma da sua parte, tentarei explicar.
Vivemos inúmeros tipos de relacionamentos e em cada um deles 'depositamos' no outro uma porção nossa. Variamos o valor do depósito dependendo da importância que damos ao outro ser.
Relacionamentos mais superficiais, depositamos nossos créditos de bons costumes, como os 'bom dias', por exemplo, e até comentamos algo pessoal esporadicamente, mas nada que seja mais profundo ou íntimo.
Aos pais, depositamos a confiança e a certeza de obter todas as respostas de qualquer questão ou adversidade da vida. Certeza que qualquer mãe ou pai estará pronto para indicar o caminho que você deve seguir, sabendo-se ainda, que é ganhado um cafuné ou aconchego extra, se a questão foi realmente delicada e te abalar.
Aos amigos, contamos com os momentos compartilhados de alegria e ainda uns vexamezinhos da vida.
Aos amores, entregamos a vontade de sermos preenchidos, completados, compreendidos, valorizados, admirados, surpreendidos. Depositamos neles nossa intimidade, nossos desejos, nossos sonhos, vontades obscuras. E esperamos que eles tenham a capacidade de ler em nossos olhos o que nossa alma reflete.
Aos grandes amigos, aqueles poucos, pouquíssimos, que se contam nos dedos (de uma mão só, claro)... entregamos muito mais. Para estes poucos, compartilhamos segredos, projetos e a esperança de estarmos juntos a cada vitória. A estes amigos, honramos nossa lealdade, visamos o crescimento, abraçamos no choro e na alegria. Coisa pra poucos mesmo.
Enfim, em cada nível de afeto, desde o menos importante, até aquele que tem capacidade de scannear o seu cérebro, entregamos à outra pessoa o que podemos e aguardamos, sinceramente, o reconhecimento do nosso melhor, com o melhor que o outro possa dar.
E quanto mais se ama ao outro, mais se oferece. Sem melindre, sem manha.
É um projeto de amor continuo e árduo, como uma construção, que deve ser estruturada desde o alicerce.
Até que, um dia, você percebe que, não é de hoje... Seu amor não é correspondido. Há algum tempo, você vê que sua entrega é grande, cria alguma expectativa, porque ao final das contas, alguém que te conhece tão bem, deve ser incapaz de não perceber do que realmente você precisa.
E seu amor continua a ser projetado, mas o retorno começa a ser uma angustia e um certo questionamento pessoal.
E se desta forma continuar, você se exaspera e percebe que não é tão amado quanto ama.
Chateia-se, irrita-se, ofende-se e...
Desiste.
Desiste de entregar tanto a alguém que tanto te conhece e tão pouco te dá.
Desiste, numa esperança louca, de que exista uma mudança radical no comportamento do outro, e de que, neste momento que você vira as costas, algo se transforme e você possa sim, continuar amando.
Você desiste, gritando inconsciente, em seu íntimo, que tudo que você espera, é que este outro te peça pra ficar. Que este outro te olhe nos olhos e diga o quanto importante você é, te peça perdão por não ter dito isto antes. Ou que traduza tudo isso em um abraço e um "eu te amo" sincero, a ponto de encher seu coração novamente.
Deseja que este alguém, complemente todo o amor entregue em um único gesto seu, o maior de todos, que foi desistir.
Desistir simplesmente porque se ama demais."
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